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UM PARTICULAR E ISENTO APREÇO

------Umberto Teixeira, ao passar do primeiro mês de 2008, é o presidente da direcção do Grupo Dramático Monte Aventino, uma instituíção cultural e desportiva de cariz exclusivamente popular cuja fundação remonta a 24 de Outubro de 1924, tinha a República Portuguesa apenas 14 anos e era então o democrata Manuel Teixeira Gomes seu lídimo representante. Estão pois decorridos 84 anos de vida associativa e, entre muitos outros recordados eventos, ainda hoje ressoam auspiciosos ecos dos entusiásticos bailes, nos belos tempos das damas e dos cavalheiros, que tiveram implantada fama defronte ao regosijo da invicta cidade nos anos 50/60.
------Consabe-se que não há êxito sem vicissitudes, e êxitos há, que apesar de serem nitidamente reais, até parecem milagres. Humberto Teixeira é daqueles que se integra com empenhada devoção no preservado respeito pelo antigo a fim de que bem se frua o presente e se garanta quanto possível um percurso seguro rumo ao advir.
------Na última trintena de anos, ninguém ignora quanto a crise-de-tudo se foi progressivamente abatendo sobre a diversidade de milhares de colectividades populares que existiam por todo país. A evolução dos meios e dos métodos não perdoou a benquista e improvisada singeleza dos lazeres modestos que se disponibilizavam ao pé da porta e sempre ao alcance da magra bolsa do povo trabalhador.
------Pois bem, o Grupo Dramático Monte Aventino resistiu estóico às intempéries das circunstâncias e apresenta-se hoje em dia capaz de se tornar numa colectividade secular. As suas cómodas instalações, entre ambiência de permanecente saudade, apresentam-se airosas e assaz dignas da actualidade.
------Humberto Teixeira, independentemente do zelo normal da regular actividade associativa, recorreu, há quatro anos a esta parte, à organização de concorridas sessões de Fado, com matinés, às quartas-feiras, e serões, às sextas. No meu modesto parecer, o propalado Monte Aventino, é no momento um dos baluartes que sustenta com rigorosa seriedade, e qualidade, o exercício do Fado portuense, também ele, tenaz no ânimo, à procura da rolha da salvação.
------Parabéns, senhor presidente, e praza que mais e mais, sobretudo que todos quantos se envolvem no desiderato reconheçam e entendam quanto difícil é lidar com tão mingadas e rebeldes águas e mesmo assim fazer rodar o moínho.

Ajuda a passar teu povo
pela saudade do cais
à luz do caminho novo
que se abre sempre mais.

Porto, 27.01.2008
António Torre da Guia


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